Gestores analisando painel de dados de treinamento corporativo

O futuro do Treinamento e Desenvolvimento (T&D) nas organizações brasileiras foi revelado com riqueza de detalhes pela Pesquisa Panorama do Treinamento no Brasil 2025/2026, realizada pela ABTD. Este estudo chega em sua 19ª edição reunindo dados de 443 empresas e mais de 80 indicadores, traçando um retrato preciso de como as empresas investem, estruturam e avaliam o T&D. Em nossa análise, identificamos 12 descobertas que mudam a visão e influenciam diretamente a gestão de pessoas, investimentos e resultados em T&D nos próximos anos.

O novo cenário dos investimentos em T&D

Uma das perguntas que mais recebemos em nossas consultorias é: quanto investir em treinamento? Os dados do estudo mostram que, em média, o investimento anual em T&D está em 1,70% da folha de pagamento, o que equivale a cerca de R$ 1.199 por colaborador. É um crescimento relevante em relação a anos anteriores, mas ainda representa uma fração modesta se comparado ao cenário internacional: nos Estados Unidos, esse número chega a R$ 6.690 por colaborador.

De acordo com a 18ª edição do Panorama do Treinamento no Brasil 2023/2024, o investimento médio vinha crescendo, mas permanece distante dos padrões globais. Ainda há grande espaço para avanços, especialmente ao considerar os diferenciais que a capacitação pode gerar para empresas em ambientes competitivos.

Como as empresas definem seus orçamentos?

Os critérios para calcular o orçamento anual de T&D apresentam um mosaico de práticas:

  • 53% baseiam a previsão nos anos anteriores;
  • 52% seguem o planejamento estratégico;
  • 15% adotam uma porcentagem do faturamento;
  • 14% usam o percentual da folha de pagamento.

Há ainda outros critérios menos frequentes, mas percebe-se um equilíbrio entre tradição e estratégia. O destaque é que a previsão orçamentária deixou de ser mero histórico. O alinhamento ao planejamento estratégico ganha força e garante que o T&D esteja realmente integrado ao negócio.

Descoberta 1: a diferença entre setores na prioridade do T&D

Um olhar sobre os segmentos destaca nuances importantes: Indústria, Serviços e Administração Pública investem mais em T&D do que o setor de Comércio. Isso se traduz em impactos diretos na qualificação das equipes e no potencial de adaptação às mudanças do mercado.

  • Na Indústria, o foco dos investimentos é a operação.
  • No Comércio, a prioridade está com o time comercial, que recebeu maior investimento nesta edição.
  • Serviços direciona mais recursos à área técnica e à excelência do atendimento.

Essas escolhas mostram que cada setor reconhece suas demandas e desafios, algo essencial para desenhar estratégias de T&D que realmente gerem impacto.

Equipe diversa participando de sessão de treinamento presencial

Descoberta 2: ferramentas que direcionam os investimentos

Para garantir assertividade na aplicação do orçamento, as principais ferramentas utilizadas são o Diagnóstico de Necessidades de Treinamento (DNT), adotado por 62% das empresas, e o Plano de Desenvolvimento Individual (PDI), com 45% de adoção. Os dois instrumentos apontam para a busca pela personalização e pelo investimento mais alinhado aos objetivos individuais e organizacionais.

Vemos na prática que empresas que usam constantemente o DNT conseguem resultados muito superiores. Afinal, entender as reais necessidades reduz o desperdício com cursos pouco relevantes para o momento.

Descoberta 3: mais tempo de treinamento nas agendas

Um dado surpreendente: a média anual de horas de treinamento por colaborador atingiu 26 horas em 2025/2026, superando a média histórica de 21 horas. Já comentávamos sobre esse crescimento em nossos conteúdos sobre e-learning corporativo, mas agora o aumento é oficializado nos dados.

O que mudou? Com a flexibilidade dos formatos online e híbridos, ficou mais fácil encaixar treinamentos nas rotinas, sem comprometer a produtividade. Ao mesmo tempo, o ambiente globalizado exige atualização rápida e constante, criando mais oportunidades para o desenvolvimento contínuo.

Descoberta 4: o tamanho enxuto das equipes de T&D

Apesar da maior complexidade dos programas, as equipes dedicadas ao T&D seguem pequenas: em empresas de 101 a 500 pessoas, há, em média, apenas 2 profissionais de T&D. Esse número chega a 13 em organizações com mais de 5.000 colaboradores. O índice geral de 1 profissional para cada 648 colaboradores se manteve estável na última década.

Equipes pequenas gerenciam grandes volumes de demandas.

Isso reforça a importância do uso da tecnologia, automação e recursos de plataformas modernas como o Maestrus, que ampliam o alcance dessas pequenas equipes e facilitam o acompanhamento de resultados em larga escala.

Descoberta 5: orçamentos definidos são a regra

A estrutura das áreas de T&D se fortalece: 89% das empresas já trabalham com orçamentos anuais formalizados. Isso representa amadurecimento e permite maior previsibilidade, acompanhamento e prestação de contas, algo fundamental para justificar futuros aumentos e investimentos.

Descoberta 6: principais estruturas e processos de apoio ao T&D

O panorama mostra uma evolução nas estruturas de apoio existentes ao redor do T&D. As mais comuns são:

  • Recrutamento interno (83%);
  • Ouvidoria (80%);
  • Pesquisa de clima (79%);
  • Avaliação por competências (77%);
  • Programa de estágio (62%);
  • Universidade corporativa (61%);
  • Apoio mental e emocional (60%);
  • Gestão do conhecimento (47%);
  • Consultor interno de RH (45%).

Entre os destaques, a universidade corporativa e a gestão de talentos foram as estruturas que mais cresceram no último ciclo. Isso sinaliza que as empresas buscam consolidar práticas consistentes, com ambiente de aprendizagem centralizado, alinhado à estratégia e capaz de mapear resultados.

Descoberta 7: absenteísmo em treinamentos e sua constância

O absenteísmo, aquele índice de não comparecimento ao treinamento, segue praticamente estável: 13% dos inscritos deixam de participar das ações formativas. Mesmo com novas tecnologias, a ausência permanece como desafio e precisa ser endereçada por medidas como personalização, flexibilidade, trilhas customizadas e engajamento das lideranças.

Falamos mais sobre formas de medir e aumentar o engajamento em treinamentos em nossos conteúdos, mostrando caminhos práticos para reduzir esse índice.

Descoberta 8: o salto da inteligência artificial no T&D

A maior transformação recente está relacionada ao uso da Inteligência Artificial. O uso de IA para criação de conteúdo saltou de 8% das empresas em 2024 para 69% em 2025. E vai além: 39% adotam IA na criação de testes, 21% para recomendações de conteúdo e 17% recorrem a assistentes de aprendizagem.

Representação de IA auxiliando treinamento corporativo
IA deixou de ser tendência e já é realidade nos treinamentos.

Na Maestrus, acompanhamos essa mudança de perto, com diversas empresas incorporando recursos de IA para personalizar o aprendizado e acelerar a criação de materiais, inclusive por meio do nosso suporte às integrações mais modernas.

Descoberta 9: redistribuição do orçamento entre interno e terceirizado

Quando analisamos o destino dos recursos financeiros, 51% do orçamento é dedicado à terceirização via consultores, cursos e fornecedores externos, enquanto 41% é investido em despesas internas como salários e custos administrativos.

Apenas 8% do orçamento vai para cursos curriculares, percentual que caiu 11% em investimentos e 4% no número de empresas que continuam a custear essa categoria. Isso indica uma reorientação para opções sob demanda, personalizadas e conectadas ao propósito do negócio.

Descoberta 10: equilíbrio do investimento entre líderes e não líderes

Outro ponto interessante: os investimentos em T&D se distribuem de forma equilibrada: 51% para líderes e 49% para não líderes. Essa divisão revela uma preocupação igualitária com o desenvolvimento de todos os públicos e mostra avanço na democratização das oportunidades.

  • Para líderes, o foco é no desenvolvimento comportamental (alta liderança - 54%, gerentes e supervisores - 51%).
  • Para não líderes, o viés é mais técnico, alinhado à operação.

Dessa forma, empresas conseguem preparar sucessores, ampliar a maturidade das equipes e, claro, impulsionar resultados.

Descoberta 11: principais conteúdos por segmento

Conteúdos sob medida fazem diferença. Segundo o estudo:

  • Na Indústria, comunicação é o tema de maior destaque.
  • Nos Serviços, o foco é segurança psicológica.
  • No Comércio, atendimento ao cliente lidera o interesse e os investimentos.

Essa diferenciação reforça a necessidade de curadoria e personalização, já que oferecer o mesmo conteúdo para todos não traz retorno. Entender a realidade e os desafios de cada segmento é uma competência-chave do gestor de T&D moderno.

Descoberta 12: formatos e métodos de aprendizagem

A pandemia mudou hábitos, mas o equilíbrio persiste:53% das horas de treinamento acontecem em formatos online (assíncrono e síncrono) e 47% ainda são presenciais. Antes da pandemia, o modelo presencial dominava com 70%.

  • Indústria ainda mantém mais treinamentos presenciais;
  • Serviços e Comércio optam mais por autotreinamento (materiais online);
  • Serviços se destaca nos treinamentos online ao vivo: 20% a mais do que outros setores.

Os métodos de aprendizagem “on the job” perderam força. Houve um aumento de 30% nas empresas que deixaram de usá-los; 12% não usam, 71% fazem troca presencial de conhecimento, 45% utilizam tecnologia, 36% têm programas de mentoria, 29% praticam job shadowing, 19% empregam coaching e 18% apostam na rotação de posições.

A mistura de formatos se tornou o padrão.

Essa flexibilidade é facilitada por plataformas robustas como a Maestrus, que integra diferentes modelos de entrega e mensuração dos resultados em um único ambiente seguro.

Como as empresas estão mensurando resultados de T&D?

Falando em resultados, 92% das empresas usam algum indicador para medir resultados dos treinamentos, segundo a 19ª edição do Panorama do Treinamento e Desenvolvimento (T&D) da ABTD. Os principais indicadores adotados são:

  • Clima organizacional (44%);
  • KPI’s de negócio (34%);
  • Avaliação de desempenho (28%);
  • Cumprimento do plano de treinamento (27%);
  • Aplicabilidade percebida pelo gestor (26%).

O indicador mais comum ainda é a avaliação de reação, presente em 71% dos casos, enquanto níveis mais avançados como ROI aparecem em apenas 1% dos projetos. O modelo de quatro níveis de Donald Kirkpatrick segue como referência, e algumas empresas já começam a adotar o quinto nível de Jack Philips, que inclui o retorno sobre o investimento.

Dashboard de indicadores de T&D e mensuração de resultados

Mesmo com tanta tecnologia, a mensuração ainda precisa avançar para conectar mais diretamente a aprendizagem aos negócios. Este ainda é um dos desafios que mais ouvimos dos gestores, inclusive abordado em materiais sobre práticas para compliance em T&D e análises de gestão do T&D.

O equilíbrio entre quantidade, qualidade e avaliação

Nem todo treinamento gera transformação – medir faz a diferença.
Muitas empresas já ampliaram a oferta, investiram em tecnologia, mas enfrentam dúvidas sobre onde focar recursos daqui para frente. O segredo está em equilibrar o volume de treinamentos, garantir trilhas customizadas para todos e acompanhar indicadores que realmente conectem aprendizagem ao negócio. O grande desafio do T&D é equilibrar quantidade, qualidade e avaliação dos resultados.

Resumo das 12 descobertas do panorama do T&D 2025/2026

  • Aumentos contínuos, mas graduais, no investimento em T&D;
  • Critérios mais estratégicos para definição de orçamento;
  • Diferentes prioridades entre setores (indústria, comércio, serviços);
  • DNT e PDI lideram na definição dos investimentos;
  • Crescimento das horas anuais de treinamento por colaborador;
  • Equipes internas de T&D ainda são pequenas;
  • Orçamento anual se tornou padrão em quase todas as empresas;
  • Estruturas como universidades corporativas e gestão de talentos se expandem;
  • Absenteísmo em treinamentos segue estável;
  • Uso da IA cresce e redesenha o futuro do T&D;
  • Divisão orçamentária equilibra recursos entre internos e terceiros;
  • Avanços em formatos, conteúdos e mensuração – mas desafios ainda persistem.

Conclusão: o futuro é integrado, tecnológico e mais estratégico

Estamos diante de um setor mais estruturado, com grande adesão à tecnologia e abertura ao novo. Ao mesmo tempo, a pesquisa mostra que a conexão entre aprendizagem, negócio e mensuração dos resultados ainda não é plena. Os desafios centrais seguem sendo comprovar valor, melhorar indicadores avançados e engajar públicos distintos.

Empresas que desejam dar o próximo passo em T&D precisam investir em plataformas robustas, capazes de conjugar automação, personalização e análise detalhada dos resultados. A experiência de aprendizado precisa ser significativa, personalizada e reconhecidamente alinhada à estratégia.

Para quem quer avançar com treinamentos online, plataformas especializadas como a Maestrus entregam recursos de padronização, acompanhamento de trilhas, emissão automática de certificados e integração com diferentes métodos de ensino. Esse suporte reduz o esforço operacional das pequenas equipes de T&D, permitindo maior foco em inovação e resultado. Aproveite e reflita: seu T&D conecta, de fato, pessoas e estratégia?

Conheça na prática como a Maestrus pode apoiar seu negócio rumo a uma nova era de treinamentos mais inteligentes, seguros, personalizados e integrados ao crescimento organizacional.

Perguntas frequentes sobre T&D

O que é o Panorama do T&D?

O Panorama do Treinamento e Desenvolvimento (T&D) é uma pesquisa anual da ABTD, que reúne dados de centenas de empresas para mapear como o Brasil investe, estrutura, realiza e avalia práticas de T&D. O estudo traz mais de 80 indicadores para orientar decisões de gestores em todo o país, comparando tendências locais com o cenário global.

Quais tendências do T&D para 2025?

As tendências para 2025 incluem aumento do uso de Inteligência Artificial para personalização do aprendizado, expansão dos treinamentos online, maior integração estratégica e foco em avaliação de resultados reais. Também há crescimento no uso de universidades corporativas e ferramentas como DNT e PDI, além da busca pelo equilíbrio entre formatos presenciais e digitais.

Como aplicar as descobertas na empresa?

Recomendamos avaliar o diagnóstico de necessidades de treinamento, definir orçamentos alinhados ao planejamento estratégico, selecionar conteúdos relevantes para cada público e priorizar mensuração por meio de indicadores ligados ao desempenho do negócio. O uso de plataformas como a Maestrus apoia a padronização, acompanhamento e automação desses processos.

Vale a pena investir em T&D agora?

Sim, pois empresas que investem regularmente em T&D tendem a melhorar engajamento, desempenho, retenção de talentos e resultados de negócio. O investimento em treinamento é comprovadamente retornável quando associado ao alinhamento estratégico e à mensuração constante de resultados.

Onde encontrar as melhores práticas de T&D?

Há muitos conteúdos de referência sobre educação corporativa, gestão de T&D e e-learning que podem ser acessados em portais especializados e blogs de plataformas como a Maestrus. Buscar atualização constante e acompanhar as pesquisas da ABTD são formas eficazes de adotar práticas atualizadas e alinhadas ao mercado brasileiro.

Compartilhe este artigo

Quer transformar sua experiência com EAD?

Teste grátis por 7 dias e descubra como a Maestrus pode facilitar a gestão e a venda dos seus cursos.

Criar curso EAD
Maestrus

Sobre o Autor

Maestrus

O Maestrus é uma plataforma de EAD (Ensino a Distância), também conhecida como LMS (Learning Management System), que oferece uma solução completa para criação, gestão, venda e entrega de cursos online

Posts Recomendados